No centro de Uidá, rodeado pela cidade em crescimento, está um muro. Atrás desse muro existe outro mundo.
A Floresta Sagrada de Kpassè não é um parque. Não é um jardim botânico. É um remanescente de quatro hectares da floresta tropical original que outrora cobria esta costa, preservado durante séculos por ser a morada dos espíritos.
Para o visitante, a floresta é talvez o melhor lugar para compreender a paisagem física e visual do Vodun.
O Mito de Origem
A floresta tem o nome do Rei Kpassè, o segundo governante do Reino de Xwéda e o fundador de Uidá no século XIV. De acordo com a história local, quando o rei se aproximou do fim da sua vida, ele não morreu no sentido comum. Em vez disso, entrou nesta floresta e transformou-se numa árvore Iroko para continuar a proteger o seu povo.
Essa árvore — antiga, maciça e ainda de pé — é o coração da floresta. É um objeto de profunda veneração. Para o povo de Uidá, o rei não é uma figura histórica; ele é uma presença viva dentro da floresta.
Uma Galeria das Divindades
Na década de 1990, a floresta foi transformada numa galeria ao ar livre da cosmologia Vodun através da adição de esculturas contemporâneas representando as principais divindades. Ao caminhar pelos caminhos sombreados, você encontra-as:
- Legba: O guardião das encruzilhadas e o mensageiro entre os humanos e os espíritos. É frequentemente representado como uma figura poderosa, por vezes provocadora, sempre à entrada dos espaços sagrados.
- Sakpata: A divindade da terra e das doenças infeciosas (especificamente a varíola). É um espírito tanto de destruição como de purificação.
- Héviosso: A divindade do trovão e do relâmpago, associada à justiça divina.
- Mami Wata: O espírito das águas, frequentemente representado como uma sereia, governando a riqueza e os mistérios do oceano.
- Egungun: Os espíritos dos antepassados, representados através dos elaborados mascarados que aparecem durante os festivais.
Estas esculturas não são apenas arte; são ferramentas educativas e pontos focais rituais. Elas dão um rosto às forças que governam a vida espiritual de Uidá.
A Floresta como Espaço Sagrado Ativo
Embora os visitantes sejam bem-vindos, é importante lembrar que a floresta é um local ativo de prática religiosa. Verá pequenos altares na base das árvores, locais onde foram feitas oferendas e áreas que estão claramente isoladas.
Certas partes da floresta são restritas ao sacerdócio e aos devotos iniciados. Estes são os espaços onde ocorrem as cerimónias e iniciações mais sérias. O silêncio da floresta não é o silêncio do abandono; é o silêncio da presença concentrada.
Visitar a Floresta
- Guias: Não tente percorrer a floresta sozinho. Guias locais são essenciais para fornecer as histórias por trás das esculturas e para garantir que não entra inadvertidamente em áreas restritas.
- Respeito: Fale baixo. Não toque nas esculturas ou nas oferendas.
- Oferendas: É apropriado deixar uma pequena oferenda na base da árvore Iroko ou num dos altares, se o seu guia sugerir.
- Fotografia: A fotografia é geralmente permitida para as esculturas, mas verifique sempre primeiro com o seu guia.
A Floresta Sagrada de Kpassè é um lugar de sombras profundas e luz antiga. É onde o passado de Uidá e o seu presente espiritual estão mais visivelmente entrelaçados. Caminhar pelos seus trilhos é caminhar através de um mapa da alma da cidade.
Vivencie a História
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