Retorno dos Tesouros Culturais: Ouidah, o Benim e a Herança Colonizada
O Retorno dos Tesouros Culturais: Uma Viagem por Ouidah e o Benim
A indústria cinematográfica frequentemente tem o dom de transformar narrativas históricas em fábulas modernas, como demonstrado pelo sucesso de bilheteria da Marvel, Pantera Negra. No coração desta obra, uma cena cativante onde Killmonger, o rival do Pantera Negra, confronta-se com uma máscara saqueada durante o saque de Benin City em 1897. Este momento cinematográfico, embora fictÃcio, levanta uma questão muito real sobre o retorno dos objetos culturais espoliados à s suas terras de origem.
Uma História de Espoliação e Restituição
Por séculos, os objetos culturais africanos adornam as vitrines dos museus ocidentais, muitas vezes sem o consentimento dos povos de origem. Michel Leiris, escritor e etnólogo francês, ilustra este aspecto sombrio da história em seu diário de 1931. Ele descreve como, durante uma missão etnográfica, adquiriu à força um objeto precioso contra a vontade dos habitantes de Dyabougou. Este relato ressoa com a história do patrimônio africano, parte do qual foi arrancado e exposto nos museus europeus.
Em novembro de 2017, durante um discurso em Ouagadougou, o presidente francês Emmanuel Macron expressou seu desejo de restituir temporária ou definitivamente o patrimônio africano. Esta declaração provocou uma onda de esperança entre os estudantes burquinenses, mas também uma viva polêmica na França. O medo de uma "arrependimento colonial" e a perspectiva de museus europeus esvaziados de suas coleções suscitaram debates acalorados.
O Relatório Sarr-Savoy: Rumo a uma Nova Ãtica Relacional
Para responder a essas preocupações, a historiadora da arte Béatrice Savoy e o economista senegalês Felwine Sarr foram encarregados de estudar as modalidades de restituição. Seu relatório, publicado em novembro de 2018, propõe uma nova ética relacional entre a Ãfrica e a Europa, defendendo a restituição dos objetos culturais de maneira transparente e respeitosa.
Ouidah: Um SÃmbolo de Resiliência e História
Ouidah, no Benim, é um lugar emblemático da história africana. Antigo centro do tráfico negreiro, hoje é um sÃmbolo de memória e resistência. A restituição dos objetos culturais poderia desempenhar um papel crucial na reapropriação da história e identidade dos povos beninenses e africanos em geral. Esses objetos não são meros artefatos; eles carregam narrativas, tradições e um patrimônio imaterial que não pode ser avaliado apenas em termos de valor de mercado.
A restituição dos tesouros culturais africanos é muito mais do que uma questão de retorno fÃsico dos objetos. à uma reconexão com uma história comum, uma reparação simbólica das feridas do passado colonial, e um caminho para um futuro compartilhado baseado no respeito e compreensão mútua. Através do prisma de Ouidah e do Benim, esta busca por justiça cultural ganha todo o seu significado, inspirando gerações futuras a redescobrir e reinventar sua herança.
Referência Acadêmica & Citação
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Elara Bertho. Restituições do patrimônio africano. Ficções e realidades. Multitudes, 2019, 74, pp.23-29. â¨10.3917/mult.074.0023â©. â¨hal-02102952â©
SÃntese e adaptação propostas por Ouidah Origins.
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