Crime e Castigo nas Colônias: Julgar e Punir no Daomé (1894-1945)
Compreender o projeto penal colonial e desdobrá-lo em sua implementação, desde o ato criminoso ou delituoso até a sanção, passando pela acusação e julgamento: este é o ambicioso objetivo desta pesquisa conduzida por Bénédicte Brunet-La Ruche. Abrangendo o território da África Ocidental Francesa entre 1894 e 1945, esta tese ilumina o funcionamento da justiça colonial no Daomé (atual Benim, incluindo a região de Uidá).
Um Mecanismo Judicial Segregado
O princípio de separação entre "cidadão europeu" e "súdito indígena", sobre o qual foi construído todo o aparato judicial, estendia-se a todo o percurso penal seguido pelos Daomeanos. Este sistema gerou a percepção de uma criminalidade supostamente "indígena", levando a uma execução fortemente diferenciada da sanção em função do status do condenado.
No entanto, este processo repressivo segregado permanecia pouco estruturado em sua continuidade lógica. Enquanto a justiça indígena era cada vez mais investida pelo governo colonial, as extremidades da cadeia penal (polícia e prisões) eram muito pouco pensadas em termos de integração social ou reabilitação.
Uma "Dominação sem Hegemonia"
As forças policiais e as prisões estavam, antes de tudo, a serviço de uma ordem política e econômica em evolução, concebida para consolidar a autoridade colonial. A gestão cotidiana da polícia judiciária e o funcionamento carcerário eram, assim, amplamente deixados nas mãos dos chefes locais e de diversos auxiliares africanos.
Essa delegação levou ao ajuste progressivo do regime repressivo em um sistema que o autor qualifica como "dominação sem hegemonia". A justiça indígena, verdadeira espinha dorsal deste sistema, cristalizava tanto as críticas contra a ordem colonial quanto o principal local onde se renegociavam as relações de poder.
A Justiça Como Local de Resistência
Longe de serem meros espectadores, os acusados daomeanos frequentemente utilizavam os tribunais para expor os conflitos sociais inerentes à situação colonial. Os espaços judiciais tornavam-se, assim, arenas inesperadas de resistência e renegociação do poder frente à administração francesa.
Em conclusão, o percurso penal sofrido e vivido pelas populações locais durante a primeira metade do século XX aparece como um reflexo distorcido de um projeto repressivo imperial. Um projeto dominado pela obsessão pela manutenção da ordem, mas que permanecia, na prática, relativamente informe e politicamente instável.
Referência Acadêmica & Citação
Se você deseja citar este trabalho de pesquisa em um contexto acadêmico, por favor, utilize a seguinte referência:
Bénédicte Brunet Brunet-La Ruche. "Crime e castigo nas colônias": perseguir, julgar, punir no Daomé de 1894 a 1945. História. 2013. Francês. ⟨tel-00979289⟩
Síntese e adaptação propostas por Ouidah Origins.
Pilares relacionados & Leituras complementares
No Ouidah Origins: A Rota dos Escravos · O Legado Arquitetônico
Fontes externas:
Source Académique Originale
Inspirado nos trabalhos de Bénédicte Brunet Brunet-La Ruche
Inconnu — 2013
ID: tel-00979289
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