O francês resolve o Benin. O fon faz você ser bem-vindo. A diferença é a diferença entre uma transação e um encontro. O condutor de zémidjan que ouve você cumprimentar em fon cobra menos. A vendedora do mercado que ouve você perguntar o preço em fon sorri antes de responder. O sacerdote do Templo das Pitons que ouve você se dirigir a ele do jeito certo conta algo que não contaria a um estranho.
E para o brasileiro existe uma camada extra que nenhum outro visitante tem: o fon é a língua matriz do candomblé jeje. Vodun, Legba, Dan, Sakpatá: se você frequenta terreiro, parte desse vocabulário já mora na sua boca. Este guia é prático, não acadêmico. Dá as palavras que você vai realmente usar, na ordem em que vai precisar, com pronúncia que um falante de português produz sem esforço, vantagem nossa: as vogais do fon soam como as nossas.
A paisagem linguística de Ouidah
O Benin tem mais de 50 línguas. Em Ouidah, três importam para o visitante.
O francês é a língua oficial, usada no governo, na escola e nos negócios formais. Quase todo mundo em Ouidah fala ao menos algum francês. Taxistas, guias, garçons e recepcionistas funcionam em francês. Se você fala francês, resolve toda situação prática.
O fon é a língua do sul do Benin e a língua do coração de Ouidah. É falado por cerca de 2 milhões de pessoas como primeira língua e entendido por muito mais. O fon é a língua da casa, do mercado, da cerimônia e da rua. Quando você fala fon, não está falando a língua da administração. Está falando a língua do lugar.
O iorubá é falado por uma minoria em Ouidah, reflexo das conexões históricas da cidade com a atual Nigéria. Circula menos que o fon, mas está presente, sobretudo nos contextos religiosos: muitas cerimônias vodun incorporam cantos e invocações em iorubá. O brasileiro de candomblé queto vai reconhecer palavras inteiras.
O inglês é raro. O Dhawa Ouidah, o Casa del Papa e alguns guias falam um inglês funcional. Fora desses espaços, conte com o francês ou o fon. E o português? Apesar da história agudá e dos sobrenomes De Souza espalhados pela cidade, o português não sobreviveu como língua falada. Sobrou nos nomes, nos pratos e nas fachadas.
Saudações e cortesia
A saudação é inegociável na cultura beninense. Chegar pedindo algo, mesmo num francês perfeito, é grosseria. Primeiro cumprimenta-se. Sempre.
Olá / bom dia. Kudazo. (ku-dá-zo)
Como vai? A fon a? (a fon a)
Estou bem. Un fon. (un fon)
Obrigado. A hou étché. (a ru e-tchê)
Até logo. O di ahoué. (o di a-ruê)
A troca de saudações pode se estender: como vai a família, como vai o trabalho, como vai a saúde. A fórmula fon é A fon a, e a resposta esperada é Un fon. A troca é rítmica, quase litúrgica. Não apresse. A saudação é a interação, não o preâmbulo dela.
Por favor. Ékou. (ê-ku)
Com licença / desculpe. Koukou. (ku-ku)
Sim. Én. (en)
Não. Oua. (uá)
Números e dinheiro
O mercado funciona em fon e em CFA. Os números são essenciais.
1: dokpo (dok-pó) 2: wé (uê) 3: aton (a-ton) 4: énè (ê-nè) 5: aton (a-ton) 10: wo (uô) 100: koué (kuê) 1.000: akpé dokpo (ak-pê dok-pó)
Quanto custa? Na bi nou? (na bi nu?)
Está caro demais. E yon wou. (ê yon wu)
Faz um preço melhor, por favor. Djè akoué ékou. (djè a-kuê ê-ku)
Vocabulário de mercado e comida
Água. Sin. (sin)
Comida. Nou do. (nu dô)
Peixe. Houé. (ruê)
Frango. Koklo. (ko-kló)
Arroz. Molikoun. (mo-li-kun)
Pão. Ablo. (a-bló)
Cerveja. Biya. (bi-iá)
Vinho de palma. Atan. (a-tan)
Delicioso. E nyona. (ê nhio-ná)
Estou satisfeito. Un dou gbada. (un du bá-da)
Transporte e direções
Zémidjan. Zémidjan. (zê-mi-djan) A palavra é a mesma. Significa mototáxi.
Onde fica...? Fi té wé...? (fi tê uê...)
A Rota dos Escravos. Na prática, diga La Route des Esclaves em francês; todo mundo conhece.
A praia. Xouta. (rú-ta)
O mercado. Ahissan. (a-ri-san)
O Templo das Pitons. Dangbé xouta. (dan-bê rú-ta)
Esquerda. Akou. (a-ku)
Direita. Adousi. (a-du-si)
Reto. Télintchin. (tê-lin-tchin)
Pare aqui. Té bo din. (tê bo din)
Palavras dos espaços sagrados
O vodun tem vocabulário próprio. Alguns termos circulam na vida diária. Outros são restritos ao contexto cerimonial. O guia dirá o que é apropriado. Estes são termos que você vai ouvir e talvez precise entender. O brasileiro de terreiro vai sentir o chão familiar: foi este léxico que os jeje levaram para a Bahia e o Maranhão.
Vodun. A palavra, em fon, significa espírito ou divindade. Não é religião no sentido ocidental. É o nome das forças que estruturam o mundo visível e o invisível. No Brasil, virou o vodum do tambor de mina e do candomblé jeje.
Vodunsi. Iniciado no vodun. (vo-dun-si) A mesma palavra usada nos terreiros jeje brasileiros.
Hounon. Sacerdote vodun. (ru-non) O líder supremo do vodun em Ouidah é o Daagbo Hounon.
Zangbeto. O guardião da noite. (zan-bê-tó)
Fa. O oráculo da adivinhação, parente do Ifá iorubá que o Brasil conhece. (fá)
Dangbé. A serpente sagrada, guardiã do Templo das Pitons, o Dan dos terreiros jeje. (dan-bê)
Mami Wata. A divindade das águas. O nome é pidgin, não fon, e a função vai soar familiar a quem cresceu ouvindo falar de Iemanjá.
Não use essas palavras de forma casual. Elas têm peso. Se não souber se um termo é apropriado, pergunte ao guia. E sobre a relação inteira entre as duas margens, leia Candomblé e vodun: diferenças e origens.
Uma nota sobre tons e pronúncia
O fon é língua tonal. Uma sílaba dita em altura alta, média ou baixa pode significar coisas diferentes. Para o visitante, isso não é algo a dominar. É algo a saber que existe.
Não se preocupe com tons perfeitos. O esforço de falar fon vale mais que a precisão. Um Kudazo mal pronunciado e oferecido com respeito será mais bem recebido que um Kudazo perfeito oferecido como performance.
As vogais são puras, como as do português. As consoantes são em geral como você espera, com poucas exceções. O gb é um som único, produzido apertando os lábios e soltando. O kp é parecido, com soltura mais dura.
O que dizer e quando
Ao encontrar qualquer pessoa. Kudazo. A fon a? Antes de qualquer outra coisa.
Ao entrar numa banca de mercado. Kudazo. Depois, Na bi nou? para o preço.
Ao terminar uma refeição. E nyona. A cozinheira vai ouvir, e vai lembrar.
Ao sair de um lugar. O di ahoué. A hou étché.
Quando não entender. Un sé mahi. (un sê ma-rí) Não entendo. Diga. As pessoas mudam para o francês ou acham um fon mais simples para você.
Para um guia que fala fon fluente e ajuda a navegar a paisagem linguística de Ouidah, o concierge da Ouidah Origins conecta visitantes a intérpretes, mediadores culturais e guias ligados à comunidade que falam a língua do lugar.
vivencie a história
além das palavras, Ouidah é uma experiência física. contate-nos para organizar uma imersão privada nos bastidores De nossas crônicas.
