
Nasceu na Bahia, morreu em Uidá. Pelo meio: um golpe, um título, 10 000 a 15 000 cativos por ano. Os seus descendentes ainda vivem aqui. A cidade ainda carrega o seu nome.

Milhares de guerreiras, temidas em toda a África Ocidental. As Agojié do Daomé foram o único exército permanente feminino documentado da história — e soldadas de um Estado escravocrata.

Depois de gerações no Brasil, milhares de escravizados libertados e seus descendentes regressaram à costa da África Ocidental. Em Uidá, fundaram a comunidade Aguda — e refizeram a cidade à sua imagem.

Na Rota dos Escravos, o recinto Zomaï era onde os cativos eram detidos antes do embarque. Um ritual de apagamento identitário cuja memória viva Uidá ainda carrega hoje.

Construído em 1721, único forte português na Rota dos Escravos, sobreviveu a impérios e viu os seus próprios arquivos queimarem em 1961. Alberga hoje um museu que se recusa a higienizar o que aconteceu entre estas paredes.

Uma jornada de 3,5 quilómetros através das seis estações de reflexão, refazendo os passos daqueles que foram levados.

Antes dos navios, havia um ritual. Caminhe em círculos ao redor desta árvore, e esqueça quem você era. Os traficantes de escravos chamavam isso de preparação. Os escravizados tinham outra palavra.

À beira do Atlântico, um monumento ergue-se como testemunho de milhões que nunca retornaram. É aqui que a história prende a respiração.