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03 · spiritual

O Templo dos Pítons

Em frente à basílica, o santuário de Dangbé, vodun serpente do povo xweda, onde as pítons-reais vão e vêm livremente

In this pillar18 min
CHAVES

Pontos Principais

  • O Templo dos Pítons é o santuário de Dangbé, vodun serpente do povo xweda (hueda), que governava Ouidah antes da conquista pelo Daomé em 1727.
  • O culto à serpente em Ouidah é documentado desde o fim do século XVII por relatos europeus, entre eles os do padre Labat e do holandês Willem Bosman.
  • As serpentes do templo são pítons-reais (Python regius), uma espécie não venenosa que raramente passa de 1,5 metro.
  • A cada sete anos, uma cerimônia acontece em torno de uma jarra sagrada com mais de dois séculos, o zingbin.
  • Dan, a força serpente, atravessou o Atlântico: é Bessen no candomblé jeje, associado a Oxumarê no candomblé ketu, e Danbala no Haiti.

O Templo dos Pítons de Ouidah cabe num pátio. Um muro baixo, uma casa redonda de palha, uma árvore grande e serpentes dormindo enroladas na sombra. Nada de dourado, nada de vitrine. Do outro lado da praça, a fachada neogótica da Basílica da Imaculada Conceição.

Esse frente a frente diz mais sobre Ouidah do que qualquer explicação longa. Mas, para entender o que você está vendo, é preciso voltar a um reino que desapareceu há três séculos, a relatos de viajantes europeus e a um mito da criação em que uma serpente carrega o mundo. E, para quem vem do Brasil, a um nome que talvez já soe familiar: Dan.

O santuário de Dangbé

O Templo dos Pítons é o santuário de Dangbé, o vodun serpente do povo xweda (também se escreve hueda; os comerciantes europeus diziam Whydah, e os portugueses, Ajudá). Antes de virar o porto do Daomé, Ouidah ficava no coração desse reino, cuja capital era Savi, alguns quilômetros ao norte.

Para os xweda, a píton não é símbolo. É a presença do vodun. Não se caça, não se mata, e quando uma entra numa casa, é levada de volta ao templo.

O santuário fica na praça Agoli, no bairro Dangbexu, literalmente "a casa de Dangbé". Na praça há um velho baobá. Só a areia da praça separa o templo da basílica.

O conjunto tem dois pátios. No primeiro ficam o abrigo das pítons, uma construção em forma de cone com uns doze metros quadrados, uma casa redonda de palha na entrada e construções de terra com telhado de zinco. O segundo pátio, fechado por um muro de cimento pintado de rosa, abriga um grande iroko sagrado, que a tradição diz ter seis séculos.

Ali vivem dezenas de pítons, às vezes perto de cem. As fêmeas, maiores, são chamadas de dangbé drè; os machos, de dangbé kpohoun.

Um culto descrito há mais de três séculos

O culto à serpente em Ouidah é uma das práticas vodun mais bem documentadas pelas fontes europeias antigas. Esses relatos são preciosos, mas precisam ser lidos com cuidado: foram escritos por homens que não entendiam o que viam, e muitos deles participavam do tráfico de escravizados.

Labat e a "grande Serpente"

O primeiro relato detalhado vem do frei dominicano Jean-Baptiste Labat, que em 1698 transmite o que tinha ouvido de outro religioso, o padre Braguez. Teriam dito a ele que o culto à serpente servia para tornar os homens humildes diante "do mais desprezível e do mais malvado de todos os animais". A explicação provavelmente diz mais sobre o olhar do missionário do que sobre a teologia xweda.

Labat descreve também grandes procissões no "templo da grande Serpente" durante as coroações reais. Numa cerimônia de abril de 1723, ele coloca a morada da serpente no centro do ritual. Poucos anos antes da conquista daomeana, o culto de Dangbé estava, portanto, no coração da realeza xweda.

Bosman, o rei e os porcos

Por volta de 1700, o holandês Willem Bosman, agente-chefe da Companhia das Índias Ocidentais, escreve que a serpente é uma das três divindades principais do reino de Whydah. Ele descreve uma "casa da serpente": uma cabana cilíndrica de barro, com telhado cônico de palha e duas entradas estreitas, uma de frente para a outra.

Ele conta uma história que ficou famosa. Um dia, um porco mordeu uma serpente sagrada e a comeu. Os sacerdotes reclamaram ao rei e conseguiram uma ordem real: todos os porcos do reino deviam ser mortos. A história mostra como a proteção da serpente era assunto de Estado.

Bosman conta ainda que o rei mandava presentes ao santuário e, em tom de deboche, diz achar que os sacerdotes ficavam com as oferendas. O livro, publicado em 1704 e logo traduzido, circulou pela Europa inteira e alimentou durante dois séculos uma imagem caricata do "culto à serpente" na África Ocidental.

As servidoras da serpente

Bosman relata ainda uma crença que o intrigava. Segundo ele, a serpente sagrada às vezes "tocava" moças, que pareciam então tomadas de loucura e precisavam entrar para o serviço do templo. Cético, Bosman afirma que os sacerdotes convenciam as moças a fingir o transe para serem mandadas à casa da serpente.

Esse trecho pede leitura atenta. O que Bosman descreve de fora se parece muito com uma instituição central do vodun, ainda viva hoje: a iniciação dos vodunsi, as pessoas consagradas a um vodun, que passam por um período de recolhimento no convento antes de voltar à comunidade. Quem conhece o candomblé reconhece a lógica: é o mesmo princípio do recolhimento dos iniciados no terreiro, e a palavra vodunsi sobrevive no candomblé jeje. O comerciante holandês via fraude; os praticantes veem vocação. Acima de tudo, o relato prova que esse tipo de iniciação já existia em torno de Dangbé por volta de 1700.

No século XIX: Burton e Laffitte

Em 1864, o explorador britânico Richard Burton, em missão junto ao rei Glelê do Daomé, passou por Ouidah. Ele notou que ali a serpente era associada às árvores e ao oceano nos gestos de devoção.

Em 1873, o padre Laffitte, missionário, descreve uma construção circular de terra com cerca de três metros de altura, abrigando umas vinte serpentes sagradas. Mais de um século e meio depois de Bosman, a "casa da serpente" mantinha mais ou menos a mesma forma.

Savi, a capital desaparecida

O culto de Dangbé estava ligado à realeza xweda, cuja capital, Savi, ficava a uns dez quilômetros ao norte de Ouidah. Quase nada dela é visível hoje. Mas a arqueologia a trouxe de volta.

Desde 1991, o arqueólogo americano Kenneth Kelly, da Universidade da Carolina do Sul, dirige escavações no local. Nas ruínas do palácio real, sua equipe encontrou grandes quantidades de bens importados: cachimbos holandeses, porcelanas chinesas, garrafas de vinho e aguardente, e até tijolos holandeses que revestiam o chão do palácio.

Esses objetos estavam nas partes mais públicas do palácio, onde o rei recebia os visitantes. Eram sinais de poder. Os reis xweda controlavam de perto o acesso às mercadorias europeias, e os comerciantes europeus tinham de morar em feitorias dentro do recinto real.

Foi nesse reino rico, cosmopolita e muito ritualizado que o culto de Dangbé teve um lugar central, a ponto de o rei lhe mandar presentes e de as suas coroações passarem pelo "templo da grande Serpente".

A lenda do rei Kpassè

A tradição local conta outra história, a das origens. Perseguido pelos inimigos, o rei Kpassè teria se refugiado na floresta, onde pítons saíram das árvores e dos arbustos para protegê-lo. Em agradecimento, mandou erguer santuários para as serpentes.

É o mesmo Kpassè que deu nome à floresta sagrada, a poucos minutos a pé, onde outra lenda diz que ele se transformou em iroko. Os dois lugares se respondem: o Templo dos Pítons e a floresta de Kpassè formam juntos o coração do vodun xweda em Ouidah.

Da conquista daomeana aos dias de hoje

Em 1727, o rei Agadja do Daomé conquistou o reino xweda. Ouidah virou o grande porto negreiro do Daomé, de onde saíram muitos dos africanos levados à Bahia. O culto de Dangbé não desapareceu. Continuou vivo, e os viajantes do século XIX ainda o descreviam.

O período colonial, a partir dos anos 1890, trouxe as missões católicas. A basílica foi construída bem em frente ao templo, entre 1903 e 1909. O templo continuou ativo.

A virada contemporânea veio em 1992. Para preparar o festival Ouidah 92, primeiro festival mundial das artes e culturas vodun, o templo foi restaurado com recursos do fundo beninense de apoio à cultura. Desde então, uma cerimônia anual acontece ali na época da festa nacional do vodun: o sacerdote do templo sacrifica uma cabra e derrama o sangue no pano branco que envolve o iroko, em homenagem aos ancestrais. A festa, por muito tempo celebrada em 10 de janeiro, acontece desde 2024 na segunda sexta-feira de janeiro.

O templo também passou por tensões. Em 2014, foi fechado temporariamente por causa de antigas disputas entre famílias sobre a gestão do local. Como muitos lugares sagrados administrados por linhagens, ele é ao mesmo tempo lugar de culto, patrimônio familiar e fonte de renda turística, e esses três papéis nem sempre combinam. Quem conhece as disputas de sucessão nos terreiros sabe do que se trata.

Dan, a serpente que carrega o mundo

Para entender como uma píton pode ser divina, é preciso entrar um pouco no pensamento vodun dos povos gbe (fon, xweda, adja, ewe).

Dan é a força serpente. Está ligada ao movimento, à continuidade, à riqueza e ao arco-íris que une céu e terra depois da chuva. Dangbé, a píton de Ouidah, é uma forma local dessa força.

O grande mito fon da criação dá à serpente um papel central. Segundo várias versões registradas por etnólogos, a divindade criadora Mawu moldou o mundo viajando nas costas ou na boca de Aido-Hwedo, a serpente arco-íris. Por onde passava o seu corpo nasciam os vales, os rios e as montanhas.

Quando a criação terminou, a terra estava tão pesada de montanhas, árvores e animais que corria o risco de afundar. Mawu pediu então à serpente que se enrolasse em círculo debaixo da terra para sustentá-la. Aido-Hwedo segura a cauda na boca e descansa no frescor dos mares que Mawu criou para ela. Uma versão sobre o fim do mundo acrescenta que ela se alimenta de barras de ferro forjadas por macacos vermelhos vindos do mar; quando o ferro acabar, ela vai devorar a própria cauda, e a terra vai escorregar para o oceano.

À luz desse mito, fica mais fácil entender por que a serpente está ligada à estabilidade do mundo e ao arco-íris, e por que Burton via a serpente de Ouidah ligada ao oceano.

O iroko, árvore de Loko

A grande árvore do segundo pátio não é enfeite. O iroko (Milicia excelsa) é uma árvore sagrada em boa parte da África Ocidental. No Benim, um estudo científico mostrou que a veneração em torno dele é uma das principais razões da sua conservação: é protegido nos campos, nos bosques sagrados, nas praças e nos cemitérios.

No pensamento vodun, o iroko é a morada de Loko, o vodun das árvores. No candomblé jeje, Loko também é cultuado como vodun ligado à gameleira, a árvore sagrada que no Brasil fez o papel do iroko africano. No Haiti, Papa Loko é o lwa das árvores e das plantas, patrono dos curandeiros, considerado o primeiro houngan, o primeiro sacerdote.

No templo de Ouidah, o iroko é envolvido por um pano branco. É nesse pano que o sacerdote derrama o sangue da cabra sacrificada na cerimônia anual. A tradição diz que a árvore tem seis séculos. Nenhuma datação científica foi publicada, mas ninguém que a vê duvida de que ela é muito antiga.

Dangbé entre os outros voduns

Dangbé não está sozinho. O vodun não é uma religião de um deus só, mas um conjunto de divindades, cada uma com os seus conventos, sacerdotes, interditos e festas. Em Ouidah, várias delas convivem:

  • Legba, o mensageiro, guardião das portas e das encruzilhadas, cujos altares de terra ficam na frente de muitas casas. Quem vem do candomblé vai pensar em Exu.
  • Hevioso, o vodun do trovão e do raio.
  • Sakpata, o vodun da terra, associado às doenças de pele, próximo de Omolu.
  • Gu, o vodun do ferro, das ferramentas e da guerra, parente de Ogum.
  • Mami Wata e os voduns do mar, na costa. Nosso pilar sobre Mami Wata é dedicado a eles.

Nesse conjunto, Dangbé tem um lugar especial em Ouidah: é o vodun protetor dos xweda, o vodun da cidade desde antes da conquista daomeana. Vir ao Templo dos Pítons é encontrar o vodun mais enraizado na história local.

Nosso pilar sobre os Vodun Days mostra como essas divindades se encontram todo ano nas ruas de Ouidah.

A cerimônia dos sete anos

O templo tem o seu próprio calendário ritual. O rito mais raro acontece a cada sete anos.

Ele gira em torno do zingbin, uma jarra sagrada com mais de dois séculos. Pela tradição, 41 moças virgens buscavam a água sagrada usada no rito. Hoje, esse papel cabe a 41 mulheres na menopausa. Folhas sagradas são maceradas na água, que depois serve para usos terapêuticos; o resto é despejado.

A mudança no rito, das moças virgens às mulheres na menopausa, diz algo sobre a forma como o vodun se adapta. A tradição não é museu: ela se transmite e se transforma ao mesmo tempo.

Esse rito não é espetáculo e não é organizado para visitantes. Se você estiver em Ouidah na hora certa, o seu guia saberá dizer se é possível assistir e em que condições.

As pítons do templo

As serpentes do templo são pítons-reais (Python regius), espécie comum no sul do Benim. Não são venenosas e são conhecidas pela calma: ameaçada, a píton-real se enrola como uma bola em vez de atacar.

Elas são de tamanho modesto. As pítons do templo medem menos de 1,5 metro. Podem viver de 10 a 50 anos. As fotos de turistas com uma serpente no pescoço costumam dar a impressão de um bicho bem maior.

As pítons não vivem presas. Toda semana, são soltas para caçar insetos e ratos nas casas vizinhas, e os moradores as recebem de bom grado. Se uma píton não voltou depois de 72 horas, os moradores vão procurá-la e a levam de volta ao templo: trata-se do bem-estar do seu vodun.

Esse vaivém entre o santuário e a cidade faz parte do próprio culto. Neste bairro, a píton é de todo mundo, e todo mundo é um pouco responsável por ela.

A píton-real, do templo ao comércio mundial

Há um paradoxo que poucos visitantes conhecem. A píton-real, sagrada em Ouidah, é também o animal vivo protegido pela CITES mais exportado da África.

Desde 1978, Togo, Benim e Gana exportaram quase quatro milhões de pítons-reais, principalmente para os Estados Unidos, onde viraram uma das serpentes de estimação mais populares. Desde 1997, fazendas desses três países praticam o chamado ranching: criam serpentes recolhidas na natureza ainda como ovos ou filhotes, que teriam pouca chance de chegar à idade adulta. O Benim reduziu a sua cota de exportação de pítons de criação de 45 mil em 2017 para 22 mil em 2018 e 2019. Pesquisadores apontaram cotas ultrapassadas e divergências nos dados oficiais. A União Internacional para a Conservação da Natureza classifica hoje a píton-real como espécie quase ameaçada: a exploração é intensa, e as populações selvagens estariam em declínio na maior parte da África Ocidental.

O mesmo animal é, portanto, a poucas dezenas de quilômetros de distância, um vodun que se leva de volta para casa quando se perde, e uma mercadoria exportada aos milhares. O contraste não tira nada do templo. Ajuda a medir o que significa, aqui, a escolha de não matar a píton.

Em frente à basílica

A Basílica da Imaculada Conceição foi construída entre 1903 e 1909, bem em frente ao templo, pela missão católica. Adeptos do vodun trabalharam na obra ao lado dos cristãos.

A igreja foi elevada a basílica menor em 1989, e o papa Bento XVI esteve ali em novembro de 2011, durante a sua viagem ao Benim. Foi ali que, em 19 de novembro de 2011, ele assinou a Africae munus, o documento que define as orientações da Igreja Católica para a África depois do segundo sínodo dos bispos africanos. O chefe da Igreja Católica assinou assim um texto dirigido a um continente inteiro a poucas dezenas de metros do santuário de Dangbé, o que resume bem a situação de Ouidah.

Os dois prédios se olham de lados opostos de uma praça de areia. No domingo, dá para ouvir a missa do pátio do templo. É a paisagem mais fotografada de Ouidah, e ela diz algo verdadeiro: aqui, muitas famílias vivem as duas pertenças sem ver contradição. Quem vem de terreiro no Brasil reconhece essa lógica, a da dupla pertença entre a igreja e o culto aos voduns e orixás.

Mesmo assim, seria ingênuo enxergar ali uma harmonia sem história. Construir uma grande igreja de frente para o santuário de Dangbé, em plena época colonial, não foi um gesto neutro. A convivência de hoje é fruto de um século de ajustes, não um estado natural. Nosso pilar sobre a basílica conta essa história.

Dan, de Ouidah ao Brasil

Os africanos embarcados nesta costa levaram os seus voduns consigo. Dan é um dos que deixaram a marca mais nítida do outro lado do Atlântico, e o Brasil é o lugar onde essa marca é mais forte.

Dan no candomblé jeje

No candomblé jeje, a tradição herdada dos povos do Daomé, as divindades se chamam vodun, como no Benim. Dan ocupa ali um lugar de destaque. Segundo as tradições do jeje mahi, ele é a serpente da vida, ligada à transformação e à renovação, como a cobra que troca de pele. Seu aspecto principal é Bessen (ou Bessém). O arco-íris e a serpente são os seus símbolos, e a sua cor preferida é o branco. Na família de Dan, essas tradições citam Aidóhwedó, a serpente arco-íris, o mesmo nome do mito fon da criação, e Dangbadáhwedó.

No candomblé ketu, de origem iorubá, Dan é associado a Oxumarê, o orixá do arco-íris. As tradições jeje contam que, entre os fon, Dan é rei, enquanto entre os iorubás ele aparece em posição subordinada, sinal das antigas rivalidades entre o Daomé e os reinos iorubás.

As casas jeje da Bahia

Em Salvador, o Terreiro do Bogum, na Ladeira do Bogum, no Engenho Velho da Federação, é uma das casas jeje históricas. Em Cachoeira e São Félix, o Kwé Seja Hundé, conhecido como Roça do Ventura, é outra. Segundo a tradição, essas casas foram fundadas por uma africana vinda da região mahi, Ludovina Pessoa.

Para quem vem desses terreiros, ou para quem cresceu ouvindo falar de Bessen e de Oxumarê, segurar uma píton em Ouidah não é uma aventura exótica. É tocar uma das raízes de uma história contada em casa.

Do Haiti à Luisiana

  • No Haiti, Danbala Wedo é o lwa serpente, associado ao branco e à pureza, e a sua esposa Ayida Wedo é o arco-íris.
  • Em Nova Orleans, o nome Damballa ficou na memória do vodu da Luisiana, onde a serpente tinha lugar central nas cerimônias.

Para muitos visitantes da diáspora, a visita ganha então outro sentido. Deixa de ser curiosidade. Vira o encontro com a origem de um nome que já se ouvia no terreiro.

O templo e o turismo

O Templo dos Pítons é um dos lugares mais visitados de Ouidah. Segundo dados citados pela Wikipédia, ele recebia cerca de 1.100 visitantes pagantes por ano na época em que os números foram levantados, sobretudo nas festas de fim de ano e nas férias. A receita era estimada em 5 milhões de francos CFA por ano, dos quais 10% iam para o município. O público cresceu muito desde então, com o sucesso dos Vodun Days.

A entrada ajuda a manter o lugar e as pessoas que cuidam dele. Doações extras permitem, para quem quiser, tirar uma foto com uma píton.

A visita, passo a passo

Na prática, a visita costuma ser assim.

Na entrada, você paga o ingresso. Um guia do templo recebe o grupo e explica em poucas palavras quem é Dangbé e como funciona o culto. No primeiro pátio, ele leva você até o abrigo das pítons, onde as serpentes costumam dormir enroladas umas nas outras.

Se quiser, o guia tira uma píton e a coloca nos seus ombros ou nas suas mãos. O toque é fresco, liso, mais pesado do que se imagina. A serpente se move devagar. A maioria dos visitantes se surpreende com a calma dela. Uma pequena contribuição é pedida pela foto.

No segundo pátio, você vê o iroko e o seu pano branco. É a hora de perguntar sobre as cerimônias, o lugar das mulheres no culto ou o elo com o candomblé. Os guias estão acostumados com essas perguntas, e muitos já receberam grupos brasileiros.

Na saída, atravesse a praça até a basílica. Fazer as duas visitas em seguida mostra, melhor que qualquer texto, a dupla pertença de muitos moradores de Ouidah.

Como visitar com respeito

O templo abre para visitantes todos os dias. Um guia do santuário acompanha e explica o culto. A entrada é paga, e costuma haver uma taxa extra para fotos. Os preços mudam: leve dinheiro vivo em notas pequenas.

Alguns cuidados para uma boa visita:

  • Ninguém é obrigado a tocar numa píton. O guia pode colocar uma nos seus ombros, se você quiser. Se tiver medo de cobra, é só dizer.
  • Peça licença antes de fotografar pessoas e cerimônias. O pátio é um lugar de culto em atividade.
  • Vá cedo, principalmente na estação seca: a visita é mais tranquila, e as serpentes costumam ficar mais à vista antes do calor.
  • Não toque no iroko nem nos objetos rituais sem ser convidado.
  • Durante os Vodun Days, realizados todo ano por volta da segunda sexta-feira de janeiro, Ouidah recebe centenas de milhares de pessoas. O templo fica muito cheio. Para uma visita tranquila, escolha outro momento.

Para saber como se comportar nos lugares sagrados da cidade, veja o nosso guia de etiqueta nas cerimônias vodun.

O Templo dos Pítons é a primeira parada de muitos visitantes. Vale a pena conhecê-lo junto com a floresta sagrada de Kpassè, a dez minutos a pé, que conta a outra metade da história do rei Kpassè, e antes ou depois da Rota dos Escravos, que lembra que a Ouidah do vodun é também a Ouidah do tráfico.

Organizar uma visita com um guia local →

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