Pontos Principais
- A Rota dos Escravos de Ouidah é um percurso de memória de três a quatro quilômetros, concebido depois do festival Ouidah 92 e inserido no projeto da UNESCO "A Rota do Escravo", lançado em Ouidah em 1994.
- Tem seis etapas: a praça dos Leilões (praça Chacha), a árvore do esquecimento, a casa Zomaï, o memorial de Zoungbodji, a árvore do retorno e a Porta do Não Retorno.
- Algumas etapas são documentadas pela arqueologia (a vala comum de Zoungbodji, escavada em 1992); os rituais das duas árvores vêm da tradição oral.
- Mais de 27 obras acompanham o percurso, sobretudo de Cyprien Tokoudagba, com Fortuné Bandeira, Yves Kpèdé, Dominique Kouas e os irmãos Dakpogan.
- O percurso está em plena transformação desde 2021, com o programa de reforma conduzido pela agência de patrimônio ANPT.
A rota começa na cidade, numa praça cercada de casas antigas, de frente para a residência de uma grande família. Termina numa praia, de frente para o Atlântico. No meio, três a quatro quilômetros de estrada de terra vermelha, coqueiros, estátuas e silêncio.
É a Rota dos Escravos de Ouidah. Costuma ser apresentada como "o caminho que os cativos percorreram". É verdade no geral, e é também mais complicado que isso. O percurso atual foi concebido no início dos anos 1990. Ele junta lugares documentados pela história e pela arqueologia, lugares transmitidos pela tradição oral e obras de arte contemporâneas.
Entender esta rota é, portanto, caminhar duas vezes: uma pelo passado do tráfico, outra pela forma como o Benim escolheu lembrar dele.
O que a rota é hoje
A Rota dos Escravos é um percurso de memória que liga o centro de Ouidah à praia de onde os cativos eram embarcados. Tem seis etapas:
- A praça dos Leilões, por muito tempo chamada de praça Chacha.
- A árvore do esquecimento.
- A casa Zomaï.
- O memorial de Zoungbodji.
- A árvore do retorno.
- A Porta do Não Retorno, na praia.
Segundo as fontes, o percurso tem entre três e quatro quilômetros. De acordo com o estudo da pesquisadora Rossila Goussanou, publicado pela Universidade de Liège, mais de 27 obras de arte acompanham o caminho: esculturas de cimento, mosaicos, peças de cobre e de aço.
A rota faz parte dos "Sítios marcantes da Rota do Escravo no Benim", que o país inscreveu na lista indicativa do patrimônio mundial da UNESCO.
Ouidah, um grande porto do tráfico
Para entender por que esta rota existe, é preciso lembrar o que era Ouidah.
Antes de 1727, a cidade pertencia ao reino xweda, cuja capital era Savi. As companhias europeias tinham ali as suas feitorias e os seus fortes, entre eles o português, São João Baptista de Ajudá, de 1721. Em 1727, o rei Agadja do Daomé conquistou o reino e fez de Ouidah o seu porto no Atlântico. Um representante do rei, o yovogan, cuidava das relações com os europeus.
No reinado de Kpengla (1774-1789), o Daomé reforçou o controle sobre o comércio de cativos, organizado como monopólio real. No século XIX, o comerciante baiano Francisco Félix de Souza se tornou o principal intermediário do comércio em Ouidah, com o título de chachá, concedido pelo rei Guezo depois de 1818. Nosso pilar sobre Francisco Félix de Souza conta a sua trajetória.
Segundo as estimativas baseadas no banco de dados Slave Voyages, mais de um milhão de africanos foram embarcados em Ouidah, o segundo maior porto de tráfico da África depois de Luanda. O principal destino era o Brasil, sobretudo a Bahia. O tráfico só terminou de vez nos anos 1860. Nosso pilar sobre a Porta do Não Retorno detalha essa história.
De onde vinham os cativos
As pessoas que seguiram esta rota não eram de Ouidah. A maioria vinha do interior, às vezes de centenas de quilômetros, capturada em guerras ou razias.
O próprio Daomé não era totalmente livre nas suas escolhas. A partir de 1730, pagava todo ano um tributo ao império de Oyó, a grande potência iorubá vizinha: uma caravana de búzios, tecidos e cativos saía de Abomé rumo à capital de Oyó. No início dos anos 1820, o rei Guezo, no poder desde 1818, se recusou a pagar. Derrotou Oyó, enfraquecido, em 1823. Livre dessa tutela, o Daomé multiplicou as campanhas contra os reinos iorubás vizinhos para capturar cativos para o tráfico atlântico e para o trabalho no próprio reino.
Isso ajuda a entender uma coisa que quem conhece o candomblé já percebeu: muitos dos africanos que chegaram à Bahia no século XIX eram iorubás, os nagôs, capturados justamente nessas guerras. A presença nagô tão forte em Salvador tem a ver, em parte, com o que se passava deste lado do Atlântico.
Outros cativos vinham do país mahi, ao norte, ou de regiões ainda mais distantes. O jovem Mahommah Gardo Baquaqua, nascido por volta de 1830 em Djougou, no norte do atual Benim, foi embarcado em Ouidah por volta de 1845 e levado para Pernambuco. O relato que publicou em 1854 é o único conhecido de um africano escravizado no Brasil contando a própria história. Nosso pilar sobre a Porta do Não Retorno conta a sua vida, e também a de Kossola, embarcado em 1860 no Clotilda depois de esperar três semanas num barracão de Ouidah.
A espera podia durar semanas. Os cativos eram mantidos em cercados, os barracões, até a chegada de um navio e o fechamento de uma venda. É essa espera que a rota resume em alguns quilômetros.
Pelo que se trocava um ser humano
Na praça dos Leilões, os cativos eram trocados por mercadorias. Quais?
A primeira era uma moeda vinda do outro lado do mundo: o búzio (ou cauri), uma pequena concha das Maldivas, no oceano Índico. Holandeses e ingleses compravam os búzios no Ceilão, levavam para Amsterdã ou Londres e depois reexportavam para a África Ocidental. Segundo historiadores da moeda citados pela revista The Conversation, pelo menos 30 bilhões de búzios foram importados pelo golfo do Benim entre 1500 e 1875, cerca de 44% do valor total das importações da região. O búzio virou ali a moeda de referência.
Os preços dispararam ao longo do século XVIII. Em Ouidah, um cativo valia 8 mil búzios em 1724; em 1748, valia 80 mil.
Além dos búzios, havia tecidos, muitas vezes da Índia, armas e pólvora, aguardente, barras de ferro e, vindo da Bahia, o tabaco. O fumo de rolo baiano, de terceira qualidade, era uma das mercadorias mais procuradas na costa, como mostrou o fotógrafo e etnólogo Pierre Verger em seus estudos sobre o "fluxo e refluxo" entre a Bahia e o golfo do Benim. Uma parte do tráfico entre as duas margens era feita diretamente de Salvador, com navios baianos, sem passar pela Europa.
Por trás desses números, há uma realidade que a praça dos Leilões torna concreta: um ser humano tinha preço, fixado em conchas e em rolos de fumo.
Uma rota real e uma rota contada
É a pergunta que muitos visitantes fazem: os cativos andaram mesmo por esta estrada?
A resposta honesta tem duas partes.
O que está bem estabelecido. Os cativos eram vendidos na cidade e depois levados até a praia, de onde canoas os levavam aos navios. A direção geral do percurso, da cidade para o mar, corresponde à realidade. Em Zoungbodji, uma escavação arqueológica feita em 1992 encontrou ossos, correntes e grilhões no local de uma vala comum. A praia do embarque é mesmo aquela onde hoje está a Porta do Não Retorno.
O que vem da tradição oral. Os rituais da árvore do esquecimento e da árvore do retorno não são documentados por nenhuma fonte escrita da época do tráfico. O historiador britânico Robin Law, autor da grande história social de Ouidah, discutiu a exatidão histórica de várias etapas do percurso num artigo publicado em 2008 na revista Gradhiva. Rossila Goussanou também lembra que esses rituais carecem de documentação histórica.
Isso não quer dizer que sejam falsos. A tradição oral é uma fonte legítima na África Ocidental, e famílias de Ouidah transmitem essas histórias. Mas é justo apresentá-las pelo que são: narrativas de memória, que dizem algo sobre como Ouidah pensa o tráfico, e não fatos comprovados por documentos.
Um bom guia vai fazer essa distinção. Não hesite em perguntar.
Como a rota foi criada
Durante mais de um século depois do fim do tráfico, nada marcava oficialmente esse caminho. A virada veio no início dos anos 1990, com a volta da democracia no Benim.
De 8 a 18 de fevereiro de 1993, Ouidah recebeu o festival Ouidah 92, "Primeiro festival mundial das artes e culturas vodun: Reencontros Américas-Áfricas". Lançado pelo presidente Nicéphore Soglo, ele respondia às comemorações dos 500 anos da chegada de Cristóvão Colombo à América, em 1992, que tinham ignorado a África e o tráfico. Sacerdotes e praticantes vieram do Haiti, de Cuba, de Trinidad e Tobago, dos Estados Unidos e do Brasil.
Foi nesse contexto que nasceu a ideia de um percurso de memória. Segundo Rossila Goussanou, ele foi executado pelo escritor Nouréini Tidjani-Serpos, e as obras de arte foram criadas a partir de 1993. Em setembro de 1994, a UNESCO lançou em Ouidah o seu projeto internacional "A Rota do Escravo", proposto pelo Haiti. A Porta do Não Retorno foi inaugurada em 30 de novembro de 1995.
A praça Chacha, ponto de partida, foi reabilitada em 1999 com financiamento da Alemanha.
Etapa 1: a praça dos Leilões
A rota começa na praça dos Leilões, por muito tempo chamada de praça Chacha, pelo apelido de Francisco Félix de Souza. Era ali, segundo a tradição e os relatos, que aconteciam as vendas: os cativos eram trocados por mercadorias europeias e brasileiras.
Em frente fica Singbomey, a residência da família de Souza. Os descendentes do chachá ainda vivem em Ouidah, e a relação deles com essa memória é complexa. Rossila Goussanou cita uma descendente, Rachida de Souza, que lamentava o uso familiar do apelido "Chacha", por achar que ele "tira uma dimensão de poder" de quem foi o homem mais rico e influente da cidade.
No centro da praça havia uma árvore muito antiga, chamada Tohounkada em fon. Segundo o jornal beninense Matin Libre, a tradição diz que ela foi plantada em 1727 e servia de referência para a venda de cativos. Também era chamada de Dantin, por causa das cerimônias em honra de Dan, o vodun serpente. Em junho de 2024, chuvas fortes a arrancaram; o tronco se partiu em dois, danificando a entrada da residência e os bancos da praça. As autoridades anunciaram a intenção de endireitá-la e restaurá-la.
A praça foi reformada dentro do programa do governo Bénin Révélé ("Benim Revelado"), com um novo conjunto de esculturas. Informe-se no local sobre o estado atual.
Etapa 2: a árvore do esquecimento
A cerca de um quilômetro da praça fica a árvore do esquecimento. Segundo a tradição contada pelos guias, os cativos tinham de dar voltas em torno dela, os homens nove vezes e as mulheres sete, para esquecer a sua origem, a sua família e o seu nome, e não tentar voltar para se vingar.
Esses números são citados pela Universidade de Liège no seu estudo dos lugares do vodun em Ouidah. Como vimos, o ritual em si não é documentado pelas fontes da época. O lugar é hoje marcado por um memorial. Nosso pilar sobre a árvore do esquecimento apresenta o que se sabe e o que não se sabe.
Etapa 3: a casa Zomaï
A terceira etapa é a casa Zomaï. Segundo a tradição dos guias, os cativos eram trancados no escuro antes da partida, para se acostumarem à noite dos porões. O nome costuma ser traduzido como "onde a luz não entra".
A Universidade de Liège propõe outra leitura: o bairro Zomaï servia de depósito para as armas e a pólvora recebidas em troca dos cativos, daí o nome, "o fogo não vai lá". As duas leituras não se excluem necessariamente. Nosso pilar sobre a casa Zomaï apresenta as duas.
Ali perto ficava o memorial Zomachi, "o lugar onde a luz nunca se apaga", criado pelo professor Honorat Aguessy e demolido em 2024. Ele era dedicado em especial aos retornados do Brasil.
Etapa 4: o memorial de Zoungbodji
O memorial de Zoungbodji é a etapa mais bem documentada do percurso. Os cativos eram reunidos ali antes do embarque. Ao lado havia uma vala comum, com uns dez metros de profundidade e cerca de seis de largura, onde se jogavam os mortos, os doentes e os exaustos.
Em 1992, durante os preparativos do festival Ouidah 92, uma escavação arqueológica sob a égide da UNESCO encontrou muitos ossos, correntes e grilhões. O memorial foi construído no local.
É uma etapa para atravessar sem pressa. Ela lembra que nem todos os cativos chegaram ao mar, e que os números do tráfico não contam quem morreu antes do embarque.
Etapa 5: a árvore do retorno
Antes da praia, a árvore do retorno. Segundo a tradição, os cativos davam voltas em torno dela para que o seu espírito, depois da morte, pudesse voltar à terra dos antepassados. É o contraponto da árvore do esquecimento: onde uma queria apagar a memória, a outra prometia o retorno.
Como no caso da árvore do esquecimento, esse ritual é conhecido pela tradição oral e não por documentos da época. Mas diz algo essencial sobre o pensamento vodun: a morte não rompe o laço com a terra dos ancestrais. Quem conhece o culto aos eguns e aos ancestrais nos terreiros da Bahia reconhece essa ideia. Para muitos visitantes da diáspora, é a etapa mais emocionante do percurso.
Etapa 6: a Porta do Não Retorno
A rota termina na praia, diante da Porta do Não Retorno. Inaugurado em 1995, o monumento foi totalmente reconstruído no fim de 2025: 16,32 metros de altura, 23 metros de comprimento, mais de 200 esculturas de Fortuné Bandeira.
É aqui que os cativos atravessavam a arrebentação em canoas para chegar aos navios. Nosso pilar sobre a Porta do Não Retorno conta a história do embarque, do monumento e das suas reconstruções.
As obras de arte da rota
A Rota dos Escravos é também um museu a céu aberto. Segundo Rossila Goussanou, mais de 27 obras acompanham o percurso, em materiais variados: cimento, mosaico, cobre, aço.
A maioria é de Cyprien Tokoudagba (1939-2012), pintor e escultor de Abomé. Tokoudagba trabalhou durante anos na restauração dos baixos-relevos dos palácios reais de Abomé, e o seu estilo, com figuras estilizadas e cores fortes, bebe da iconografia real e vodun do Daomé. Ganhou reconhecimento internacional ao participar da exposição Magiciens de la Terre, em Paris, em 1989.
Outros artistas contribuíram: Fortuné Bandeira, Yves Kpèdé, Dominique Kouas e os irmãos Dakpogan, conhecidos pelas esculturas feitas com metal reaproveitado.
Essas obras não são neutras. O historiador beninense Romuald Tchibozo, citado por Goussanou, considera que a iconografia fon dos monumentos impõe uma nova forma de "dominação simbólica" sobre os xweda, o povo original de Ouidah, que tinha sido conquistado pelo Daomé em 1727. A observação importa: a rota conta o tráfico com os símbolos dos antigos vencedores.
Uma memória em negociação
Para Rossila Goussanou, a Rota dos Escravos é um palimpsesto: um lugar onde várias memórias se sobrepõem e disputam espaço. Famílias locais, sacerdotes vodun, empresários, artistas, a Igreja Católica e a UNESCO se apropriaram, cada um, de uma parte do percurso.
Alguns exemplos dessas tensões:
- A família de Souza vive diante da praça onde aconteciam as vendas. Carrega ao mesmo tempo a memória de um antepassado traficante de escravizados e a de uma das grandes famílias da cidade.
- Os xweda veem a sua história contada com a iconografia do reino que os conquistou.
- As iniciativas privadas, como o memorial Zomachi, conviveram com o percurso oficial, até que algumas desapareceram.
- Os visitantes da diáspora trazem as suas próprias expectativas, os seus próprios rituais e às vezes a sua própria leitura da história.
Esse palimpsesto não é defeito. Faz da rota um lugar vivo, e não uma simples exposição. Mas convida o visitante a ouvir várias vozes, e não uma só.
O que a rota não mostra
A Rota dos Escravos conta a partida para as Américas. Fala bem menos de quem ficou.
As guerras e razias do Daomé não serviam só ao tráfico atlântico. Também forneciam cativos para o trabalho dentro do próprio reino, sobretudo nas plantações de dendezeiros, principalmente depois do fim do tráfico. A escravidão só foi abolida na África Ocidental francesa por um decreto de dezembro de 1905, e as suas marcas sociais duraram muito mais.
O pesquisador beninense Nassirou Bako-Arifari mostrou que, no Benim dos anos 1990, a pergunta sobre "quem são os escravos" na sociedade continuava sensível: algumas famílias descendem de comerciantes, outras de cativos que ficaram, e essas histórias nem sempre são ditas abertamente.
Esse silêncio não é exclusivo de Ouidah, e quem vem do Brasil conhece bem a dificuldade de falar dessas heranças em família. Mas ele lembra que a rota, por olhar para o mar, deixa na sombra uma parte da história. O memorial Zomachi, demolido em 2024, era um dos raros lugares que colocavam publicamente a questão da responsabilidade africana.
A rota hoje: um canteiro de obras
Desde 2021, a agência nacional de patrimônio e turismo do Benim (ANPT) conduz uma ampla reforma dos lugares de memória de Ouidah. Ela já transformou várias etapas:
- A Porta do Não Retorno foi totalmente reconstruída no fim de 2025.
- O Forte português está em obras para abrigar o Museu Internacional da Memória e da Escravidão (MIME). Não encontramos fonte que confirme a sua abertura ao público.
- O memorial Zomachi foi demolido em 2024, e o monumento "Cité historique de Ouidah", no cruzamento de Vassého, em 2025.
- Um complexo hoteleiro do grupo Banyan, o Dhawa Ouidah, foi anunciado perto da praia para o fim de 2026.
O rosto da rota muda, portanto, de um ano para o outro. Algumas descrições na internet, e até alguns guias impressos, falam de monumentos que desapareceram ou mudaram. Confira no local e pergunte ao seu guia o que mudou recentemente.
A rota também está no centro dos Vodun Days, realizados todo ano por volta da segunda sexta-feira de janeiro. Segundo o instituto de estatística do Benim (INStaD), a edição de 2026 reuniu 740.668 participantes em Ouidah. Nosso pilar sobre os Vodun Days traz os detalhes.
Percorrer a rota
A pé, desde a praça
A melhor forma de entender a rota é percorrê-la a pé, no sentido dos cativos, da praça dos Leilões até a praia. A passagem gradual da cidade barulhenta para a praia silenciosa faz parte da experiência.
Conte cerca de uma hora de caminhada em ritmo tranquilo, e duas a três horas se parar em cada etapa com um guia. Boa parte do caminho tem pouca sombra: saia cedo de manhã ou no fim da tarde, com água e chapéu.
Seis perguntas para o caminho
Em cada etapa, uma pergunta ajuda a olhar de outro jeito:
- Praça dos Leilões: quem vendia, quem comprava, e o que se recebe em troca de um ser humano?
- Árvore do esquecimento: o que significa querer apagar a memória de alguém?
- Casa Zomaï: escuridão dos cativos ou paiol de pólvora? O que muda com a resposta?
- Zoungbodji: quantas pessoas nunca chegaram ao mar?
- Árvore do retorno: o que quer dizer voltar, para quem nunca voltou?
- Porta do Não Retorno: por que reconstruir um monumento, e para quem?
Informações práticas
- Acesso: o percurso começa no centro de Ouidah, a cerca de 45 quilômetros de Cotonou por estrada.
- Entrada: a rota em si é gratuita. Alguns lugares da cidade, como os museus, cobram entrada.
- Guias: um guia local enriquece muito a visita, desde que separe história e tradição oral.
- Volta: de mototáxi (zem) da praia até o centro.
- Fotos: peça licença antes de fotografar pessoas ou cerimônias.
- Estação: o sul do Benim tem duas estações chuvosas, mais ou menos de abril a julho e de setembro a novembro. A estrada de terra pode ficar enlameada. Os meses secos, de dezembro a março, são os mais fáceis para caminhar, embora sejam também os mais quentes no meio do dia.
Combinar a rota com o resto de Ouidah
A Rota dos Escravos não resume Ouidah. Para um dia equilibrado, junte a ela lugares que mostram outras faces da cidade:
- o Forte português, para a história das feitorias europeias (confira o que está aberto durante as obras);
- o Templo dos Pítons e a floresta sagrada de Kpassè, para o vodun vivo;
- o museu da Fundação Zinsou, para a arte contemporânea africana, com entrada gratuita;
- as casas das famílias agudás e a Casa do Brasil, para a história dos retornados, contada no nosso pilar sobre a comunidade agudá.
Para ir mais longe na forma de visitar esses lugares, leia o nosso guia do turismo de memória em Ouidah.
Percorrer a Rota dos Escravos com um guia local →
Fontes
- Rossila Goussanou, "La Route de l'esclave de Ouidah: espace de négociation des mémoires collectives", Universidade de Liège (francês): as seis etapas, as obras e os seus autores, Nouréini Tidjani-Serpos, as críticas de Robin Law e de Romuald Tchibozo, Rachida de Souza.
- Robin Law, "Commemoration of the Atlantic Slave Trade in Ouidah", Gradhiva, nº 8, 2008, e Ouidah: The Social History of a West African Slaving Port, 1727–1892 (Ohio University Press, 2004).
- Pierre Verger, Fluxo e refluxo do tráfico de escravos entre o Golfo do Benin e a Bahia de Todos os Santos: o tabaco baiano e o comércio direto entre Salvador e a costa.
- Universidade de Liège, lugares de memória e de turismo do vodun em Ouidah (francês): árvore do esquecimento, Zomaï.
- Place Chacha (Ouidah), Wikipédia (francês) e Matin Libre, "Place aux enchères de Ouidah: l'histoire d'un arbre multiséculaire" (junho de 2024, francês).
- The Shell Money of the Slave Trade (Hogendorn e Johnson, Cambridge University Press) e The Conversation, os búzios e o tráfico.
- Ghezo, Wikipédia (inglês) e Dahomey raids on Yoruba, Wikipédia (inglês): tributo a Oyó, guerras por cativos.
- Mémorial Zoungbodji, Wikipédia (francês).
- Festival Ouidah 92, Wikipédia (francês) e La Route de l'esclave, Wikipédia (francês).
- UNESCO, Sítios marcantes da Rota do Escravo no Benim (lista indicativa).
- Slavery and Remembrance, Ouidah.
- Nassirou Bako-Arifari, Journal des Africanistes, 2000 (francês).
- La Nouvelle Tribune, demolição do monumento "Cité historique de Ouidah" (setembro de 2025, francês).
- Matin Libre, números do INStaD para os Vodun Days 2026 (francês).




